Quinta-feira, 6 de Março de 2008

DESCARTÁVEL

Hoje senti-me mal

Hoje senti-me sujo

O que sou eu afinal

De que realidade eu fujo

 

Ninguém me conhece

Nem sabem quem sou

Toda a gente me esquece

E ninguém sabe onde estou

 

Desculpem, é mentira

Todos sabem onde me encontrar

Era uma tirania

Se o inverso eu fosse pensar

 

Toda a gente me procura

Nas alturas de solidão

Quando a dor é nua e crua

Quando precisam de uma opinião

 

No meu ombro já derramaram

Lágrimas de amor

Ás minhas vestes já limparam

Corações feridos de dor

 

Fui confidente de lamúrias

De desentendimentos e abandonos

De pecados e injurias

Eu fui a força de muitos cornos

 

Mas gostava de ser procurado

Um único dia qualquer

Para me ser perguntado

Se eu estava bem, ou qual o meu querer

 

Mas hoje sinto-me pior

Porque me ofereci

Para ser o condutor

E um não eu recebi

 

Ofereci-me para transportar

Alguém a algum lugar

Mas teve o dom de me descartar

E a ajuda de outro aceitar

 

Eu que pensei que era querido

Por quem me descartou

E agora estou ferido

E o sangue de brotar ainda não parou

 

Sou só reconhecido

Quando precisam de ajuda

Sou só um ser vivo

Quando me pedem ajuda

 

Porque eu vivo na sombra

Vivo na escuridão

Sou um ser, uma cobra

Que vive na solidão

 

Procurado unicamente

Para a pele me tirar

E o final, sempre deprimente

Nunca contem a palavra amar

 

Opiniões, consolo

Até mesmo sexo

Eu só posso ser um tolo

Para viver esta vida sem nexo

 

Não sou bom ouvinte

Nem sequer bom amante

Não sou de dar opiniões

Sou um simples ser errante

 

Porque é que só me procuram

Quando precisam de ajuda?

Sou tão mau assim?

Isto me deixa “una duda”

 

Sou um ser descartável

Usado e deitado fora

Sou um ser miserável

Que só sirvo para o prazer na hora

 

Sou um ser descartável

Que ninguém quer amar

Pois todos me acham fiável

Mas somente para me usar.

publicado por sensei às 13:41

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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

NOITE DE AZARRRR!!!!!

A noite quente de Verão,

Escondeu na escuridão,

O som do teu chegar

 

A cor do teu batom,

Escondeu da multidão

O sabor do teu beijar.

 

Aquele leve vestido,

Mais tarde despido,

As tuas curvas estava a realçar.

 

A tua cara bonita,

De menina jovenzita,

Que logrou me encantar.

 

O teu cabelo

Tão liso, tão belo,

Deixou-me a flutuar

 

Sobre os teus peitos,

Tão delicados e perfeitos,

Eu quis ter lugar

 

No teu quarto,

O teu belo recanto,

Deixamo-nos embalar.

 

No teu regaço,

Com algum embaraço,

Eu fui brincar.

 

Eras tão bela, Flor,

No meu peito provocas-te um ardor

Que alguém teimou em apagar.

 

Quando no corredor,

Já nós cheios de suor,

Ouvimos alguém caminhar,

 

Era o teu namorado,

Esse desgraçado,

Que acabava de voltar.

 

Mais cedo que o normal,

Logo hoje, esse animal,

Tinha que cedo regressar.

 

Fugi pela janela,

Fui mordido pela tua cadela,

E não pude gritar.

 

A roupa lá caía,

Enquanto eu corria,

Para me poder abrigar,

 

Nu, pelado lá ia,

O mais rápido que podia,

Para me tentar agasalhar

 

Para trás nem olhava

Pois só me importava

Depressa dali bazar

 

Agora que escrevo,

Estes versos, este enredo,

É que estou a pensar

 

Sete pontos eu levei

A queca eu não dei

Nessa noite de AZAR….

publicado por sensei às 14:45

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Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

Onde estás???

Abandonado

Sinto-me destroçado

Um ser amargurado

Com o coração despedaçado

 

Espero à muito tempo

A princesa que me virá salvar

Espero a mudança do vento

Desta época de azar

 

Fechado neste buraco

Onde ninguém me pode ver

Sou um pássaro fechado

Com pouco ou nada a perder

 

Espero a princesa

Corajosa e bonita

Que montada e bela

Me liberte desta gruta maldita

 

Onde estás tu princesa

Tardas em chegar

Com a tua beleza

Disposta a me libertar

 

Onde andas tu perdida

Que o caminho não encontras?

Onde andas tu perdida

Que a tua beleza não demonstras?

 

Estou só

Estou abandonado

Reduzido a pó

Tudo como ser amargurado

 

Onde estás tu minha deusa

Quando me vens buscar

É assim que a história reza

Essa história de encantar

 

Onde estás tu

Não quero ficar só no S. Valentim

Só, sinto-me nu

Só, sinto uma tristeza sem fim

 

Quem que quer salvar

Desta minha caverna

E o meu coração iluminar

Com a luz eterna…

publicado por sensei às 13:37

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Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

OLHA AQUELE ALI

Voltei a ter medo

Voltei a ter frio

Voltei a levantar-me cedo

Voltei a dormir na margem do rio

 

A ânsia de me libertar

Das dores que tenho na alma

Fazem-me voltar a tombar

Fazem-me perder a calma

 

O desejo de me limpar

Das manchas que carrego comigo

Fazem-me fraquejar

E voltar a ser mendigo

 

A vergonha que sinto

Quando na rua vou a passar

Olha que não minto

Quando digo que me desejo matar

 

Os dedos que me apontam

Os nomes que me chamam

Com a realidade me confrontam

Mas lentamente me matam

 

Tenho problemas reais

Tenho vergonha de os ter

Não são problemas banais

São problemas em viver

 

Como o carro usa gasolina

Eu uso vinho carrascão

Há quem use adrenalina

Mas já não me acelera o coração

 

Já não penso

Já não durmo

Eu dispenso

Quase tudo o que consumo

 

Mas o vinho que bebo

Para fugir deste lugar

É o meu mais real enredo

Para me conseguir matar

 

Porque sei que lentamente

Eu irei morrendo

Desta forma deprimente

Vou do mundo correndo

 

Hoje tornei a acordar

Debaixo da ponte

E mais uma vez me tentei lavar

Na água gélida da fonte

 

Já não sei o que é comer

Ou o que é viver

Porque só sei beber

E sinto que estou a morrer

 

Este desejo em mim

De consumir sem parar

Vai ditar o meu fim

Mas agora já não há volta a dar

 

Espero que ninguém

Sofra o que eu sofri

Sentir o dedo de alguém

Dizendo “olha aquele ali”

publicado por sensei às 11:13

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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

CULPADO

Estou farto

Estou triste

Toda a gente me olha

Com a espada em riste

 

Porque me julgam culpado

Por tudo, mesmo o que não fiz

Eu não passo de um pobre coitado

De um pobre infeliz

 

Todas as culpas sem dono

A mim são atribuídas

Sou um rei Mono

E só queira ser um rei Midas

 

Sou a África em pessoa

Com as costas quentes

Com terra boa

Mas governantes dementes

 

O meu corpo é fértil

Para as culpas que me querem dar

Mas o meu cérebro estéril

Para as refutar

 

Estou cansado de dizer

A toda a gente e mais alguém

Que se vão foder

Que com as culpas eu aguento bem.

publicado por sensei às 16:59

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Terça-feira, 16 de Outubro de 2007

Diz-me o meu valor

Começo a pensar,

Que se calhar,

Tinham razão.

 

As minhas amantes,

Bastante tolerantes,

Nisso de que o mau sou eu.

 

Será que vivi,

E nunca admiti,

Na ilusão.

 

De que lhes dei muito prazer,

Mesmo por vezes a saber,

Que poderia não ser verdade.

 

Começo a acreditar,

Que a razão de me deixar,

Não era só do meu feitio

 

Que sei que é ruim,

Mas nunca ditou o fim

De nenhuma aventura.

 

Será que vivi,

E até a mim menti,

Numa ilusão?

 

E que sem língua e mão,

O resto da armação,

Nunca as cativou?

 

Tenho a sensação

Que fui uma desilusão

Para quem comigo dormiu.

 

E sei que sempre assim serei,

Se calhar porque nunca me importei

Verdadeiramente das suas necessidades.

 

Será que errei,

E só agora me precatei,

E já vou tarde demais?

 

Porque por mim já passaram,

E até me abandonaram,

Mulheres que eu amei.

 

Será que no fim

Vou ficar assim

Sozinho a ver o luar?

 

Ou será que o luar

Também me vai abandonar

Por eu não o entender?

 

Já sei que sou mau,

Talvez mesmo banal,

Nisto do sexo e do amor.

 

Diz-me tu, mulher,

Será que eu sei ver

O que necessitas?

 

Diz-me se fui bom ou mau,

Espectacular ou banal,

Tu que comigo dormiste.

 

Diz-me, preciso de saber,

Para tentar perceber

O porquê da minha solidão.

 

Diz-me, para eu ver

Se ainda te posso ter

E amar-te de todo o coração.

 

Porque sei que sexo não é tudo

Mas sem sexo a vida é como um mudo

Que nem sempre se consegue explicar.

 

Sei que amor é mais importante,

Mas sem sexo torna-se distante,

E o que queremos é proximidade.

 

Porque todos somos animais

Com necessidades carnais

E o sexo é a melhor.

 

Digo eu que nada sei,

De virgem ainda não passei,

Mas é o que vejo em revistas e jornais.

 

Diz-me de verdade,

Sem pita de maldade,

Se tenho “valor”

No mais puro acto de Amor.

sinto-me: Virgem
publicado por sensei às 13:20

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Terça-feira, 9 de Outubro de 2007

Demência

Hoje vou correr

Saltar e gritar

Hoje não vou crescer

Hoje vou é brincar

 

Quero reviver a criança

Que tenho dentro de mim

Quero ter a esperança

Que ela nunca saiu de mim

 

Temos estado longe

Ela sempre escondida cá dentro

Eu guiado pelo relógio

A batalhar para chegar sempre a tempo

 

Hoje quero atrasar-me

Não ter com o que me preocupar

Quero criar amizades e zangar-me

Quero poder gozar e arrotar

 

Vou ser o miúdo

Que andava de bicicleta

Que dominava o mundo

E que não era careca

 

Vou jogar à bola

No meio da rua

Vou visitar a escola

Vou subir a rua

 

Vou percorrer os caminhos

A correr e a saltar

Caminhos que já não percorro

Porque só penso em trabalhar

 

Vou ligar aos amigos

Do tempo de escola

Convida-los para virem comigo

Convida-los para jogar à bola

 

Vou mergulhar no rio

Saltar da árvore da curva

Deixar de me interessar

Se a água está limpa ou turva

 

Vou beijar alguma miúda

Como se fosse a primeira vez

Mesmo que ela seja graúda

Vou perguntar-lhe se já o fez.

 

Vou dizer que sou amigo

De toda a gente que conheço

Dizer que amigos tenho muitos

Dizer que a todos eu mereço

 

Vou fazer juras de morte

A quem não me escolher em primeiro lugar

Vou ter vergonha da sorte

Vergonha quando uma miúda me olhar

 

Vou fazer juras de amor

Prometer amor eterno

Esquecer tudo em redor

Ser um príncipe efémero

 

Vou voltar a chorar

Vou voltar a sonhar

Não me vou preocupar

Mas vou ter medo e assustar

 

Mas eu quero fazer tudo isto

Para reviver o rapaz

Que movia todo o mundo

Que de tudo era capaz

 

Vou querer ouvir

A minha mãe a chamar

Enquanto me estava a divertir

Porque já era hora de jantar

 

Quero ver a cara de zangada

Que ela punha

Quando eu asneirava

E ele à força a ordem impunha

 

Quero ver o meu pai

Voltar de trabalhar

Sentar-se no sofá

E eu, desafia-lo para brincar

 

Quero estar com o meu irmão

Andar a bulha com ele

Brincar-mos em conjunto

E ganhar a roupa dele

 

Agora já sou grande

Já não sei a que cheira a terra

Conheço os valores das coisas

Mas aprisionada, a criança em mim berra.

 

Vou voltar á infância

À falta de consciência

Reviver e aproveitar

A falta de demência

 

Porque quando crescemos

Tudo se transforma e muda de aparência

Os valores perdemos

E ganhamos a demência

sinto-me: Criança
publicado por sensei às 14:05

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Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007

Guerra??? Amor???

Preparem as armas

E as munições

Esta velha guerra

É travada nos colchões

 

As mulheres defendem

Que são superiores

Os homens desmentem

Dizem que são os melhores

 

Nós somos mães

E nós somos pais

Nós damos à luz

Mas sem nós não engravidais

 

Nós amamentamos a criança

E nós amamentamo-vos a vós

Já faltava a estupidez

Estúpidas sois vós

 

Nós somos vossas escravas

Não digas mentiras

Nós fazemos toda a fascina

Fazeis? Tem dias.

 

Nós temos um dia internacional

Nós temos 364

Mas não está no calendário

Pois não, mas é um facto

 

Temos prioridade em barcos salva-vidas

Nós sabemos nadar

Somos carregadas na noite de núpcias

É para não te enganares no andar

 

Somos os primeiros reféns a serem libertados

É que nem os sequestradores vos aturam

Olha que fazemos greve de sexo

Não stress, umas notas essas greves furam

 

Se somos traídas somos vitimas

E se nos somos traídos vocês são putas

Mas se traímos vocês são cornos

E nós se traímos somos garanhões.

 

Não somos lésbicas

Por dormirmos com uma amiga

Nós também não

E não esperes que ela te diga.

 

Já demonstramos que somos superiores

E nós que somos melhores

 

Já tou farta de discutir

Porra, logo agora que me estava a divertir

 

Já nem sei que te diga

Nem eu, vamos acabar com esta briga?

 

Tá bem, mas vai com calma

Ok, agora cala-te e anda abafa-la.

publicado por sensei às 11:51

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Terça-feira, 25 de Setembro de 2007

Viver em Guerra

Procurei um lugar

Procurei um país

Procurei trabalhar

Procurei ser feliz

 

Saí da minha terra

Deixei tudo ficar lá

Parti para uma nova guerra

Parti com uma mente sã

 

O tempo foi passando

E eu forte fui ficando

O trabalho foi andando

E a saudade apertando

 

Tudo o que abandonei

Tudo o que para trás deixei

Ema mais forte do que o que conquistei

Era maior do que o que arrecadei

 

Neguei tudo isto

Não podia ser fraco

Dizia se feliz

Mas de mentir estou farto

 

Faz-me falta o meu pai

A minha mãe e o meu irmão

Da minha cabeça nunca sai

Que até hoje os abandonei em vão

 

Pouco ou nada consegui

Pouco ou nada conquistei

Tudo aquilo que aqui vivi

Até isso detestei

 

Ganhei várias batalhas

Mas a guerra ainda não acabou

Cometi muitas falhas

E abandona-los foi onde tudo começou

 

A imensidão do meu quarto

Que não é meu de verdade

É um quarto alugado

Nem nele estou à vontade

 

Mas nessa imensidão

Quando as luzes se apagam

As saudades e a solidão

Parece que por mim se propagam

 

Quantas vezes eu chorei

Agarrado à travesseira

Quantas noites em claro passei

Por não ter a minha mãe à beira

 

Quantas vezes quis desistir

E voltar ao meu lugar

Ou pensei em construir

Nesta terra o meu lar

 

Mas como posso eu

Um pobre de Deus

Conseguir um lar meu

Se no banco me perguntam “tem bens seus?”

 

Que posso eu responder

Eu nada tenho

Que poderia eu fazer

Penhorar o meu engenho?

 

Desde cedo que eu tento

Fazer algo em que seja feliz

Mas desde cedo que não tenho

Coragem para fazer o que sempre quis

 

Sonhei se arquitecto

Mas não me deixaram mudar de escola

Não por falta de afecto

Mas por falta de “bola”

 

Decidi abandonar

O desporto em que diziam ser bom

Para fazer sem pensar

O desporto do meu irmão

 

O andebol ficou

E no Judo tento singrar

Não porque não goste de andebol

Mas porque o meu irmão quero “animar”

 

Hoje percorro tapetes

Sem muita convicção

Num desporto que eu faço

Mas não por paixão

 

Paixão eu tenho ao meu irmão

À minha mãe e ao meu pai

Hoje nada mais faço por paixão

Hoje por paixão nada me sai

 

Tenho saudades de tudo

Quando era feliz

Quando o meu mundo

Era um mundo petiz

 

Abandonei a família

O Jorge e a Adília

Abandonei o meu irmão

David o campeão

 

Hoje nada tenho

E no buraco me afundo

Choro baba e ranho

Procuro o meu mundo

 

Quero um mundo só meu

Quero ter algo meu

Mas nem com o que ganho ainda deu

Para criar o mundo meu

 

Eu não posso almoçar

Nem sequer jantar

Na casa da mama

Para poder poupar

 

Trabalho tudo o que posso

Para ver se junto algum

Mas quando olho para o bolso

Vejo o bolso em jejum

 

Há quem tenha sorte

E ainda bem que é assim

Mas porque foge a sorte?

Porque foge a sorte de mim?

 

Tenho saudades

Tenho vergonha

Tenho vontades

Mas devo ter “pessonha”

 

Gostava de ter a ajuda

Que felizmente o meu irmão tem

Mas decidi abandona-los

E cá acabo por não ter ninguém

 

No entanto agradeço

A família que Deus me deu

Aos amigos que fiz

A força que cada um me deu

 

Tenho que lutar

Nesta guerra que estou a perder

Para pouco a pouco conquistar

Para pouco a pouco vencer.

sinto-me: Despido, nu
publicado por sensei às 14:22

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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2007

Falta de diálogo?

Este é um poema que tenta traduzir as conversas de uma familia normal, quando estão juntos.

 

Morreu a tia Quinhas

Mas tu viste aquele golo?

O gajo deve ser mariquinhas.

Dizem que houve dolo.

 

A massa está fria

Mas que raio de morte

Aqueles barcos que andam na ria

O gajo veio do norte

 

Põem a televisão mais alta

Hoje joguei futebol de salão

A minha mãe teve alta

Ao lanche bebi um galão

 

Que gaja boa ali vai

Eu quero rebuçados

Põem isso direito se não cai

Porra, tenho os cordoes desapertados

 

O meu chefe anda maluco

Tá calado de uma vez

Aprendi a escrever cuco

Que grande merda ele fez

 

Dói-me a barriga

Não tens nada que se coma

O João fez-me uma cantiga

Tem um acidente, está em coma

 

Olha, olha para aquilo

Já tou farto de te ouvir

Sabias que há um delta no Nilo

E o gajo começou a fugir

 

A gaja é tão boa

Eu não gosto de ervilhas

Eu disse joaninha voa voa

Eu prefiro o país das maravilhas

 

Tou a falar pró boneco?

Espera, deixa-me ouvir

Apareceu-me em mabeco

Foda-se, o velho começou a tossir

 

Que coisas o meu patrão tem

Preciso de comprar roupa

Eu na moto a cem

Olha que ela não poupa

 

Tenho uma coisa a dizer

Já sei, já sei

Olha estas calças para coser

Admito, eu sou gay.

 

Tu és o quê?

Eu sou gay

És gay porquê?

Aconteceu, não sei.

 

Filho meu paneleiro

És a desgraça da família

Eu um másculo torneiro

Que tenho um filho que é panila

 

Pára de chorar

A culpa é tu, mulher

Com a mania de o mimar

Agora abafar a palhinha ele quer.

 

Mas agora a sério

Eu não sou gay

Precisava era da vossa atenção

Para vos dizer que casei….

 

sinto-me: BEEEEMMMMM
publicado por sensei às 13:09

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