Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

OLHA AQUELE ALI

Voltei a ter medo

Voltei a ter frio

Voltei a levantar-me cedo

Voltei a dormir na margem do rio

 

A ânsia de me libertar

Das dores que tenho na alma

Fazem-me voltar a tombar

Fazem-me perder a calma

 

O desejo de me limpar

Das manchas que carrego comigo

Fazem-me fraquejar

E voltar a ser mendigo

 

A vergonha que sinto

Quando na rua vou a passar

Olha que não minto

Quando digo que me desejo matar

 

Os dedos que me apontam

Os nomes que me chamam

Com a realidade me confrontam

Mas lentamente me matam

 

Tenho problemas reais

Tenho vergonha de os ter

Não são problemas banais

São problemas em viver

 

Como o carro usa gasolina

Eu uso vinho carrascão

Há quem use adrenalina

Mas já não me acelera o coração

 

Já não penso

Já não durmo

Eu dispenso

Quase tudo o que consumo

 

Mas o vinho que bebo

Para fugir deste lugar

É o meu mais real enredo

Para me conseguir matar

 

Porque sei que lentamente

Eu irei morrendo

Desta forma deprimente

Vou do mundo correndo

 

Hoje tornei a acordar

Debaixo da ponte

E mais uma vez me tentei lavar

Na água gélida da fonte

 

Já não sei o que é comer

Ou o que é viver

Porque só sei beber

E sinto que estou a morrer

 

Este desejo em mim

De consumir sem parar

Vai ditar o meu fim

Mas agora já não há volta a dar

 

Espero que ninguém

Sofra o que eu sofri

Sentir o dedo de alguém

Dizendo “olha aquele ali”

publicado por sensei às 11:13

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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008

A MINHA MÃE

Embalado nos teus braços

Aprendi o que é a tranquilidade

Aprendi com os teus abraços

O significado de amizade

 

O que tu lutas-te

Fez crescer dentro de mim

A imagem que crias-te

O desejo de vencer no fim

 

As vezes que tiras-te

A comida do teu prato

E no meu colocas-te

Para eu me poder sentir farto

 

O esforço que fizeste

Para eu poder estudar

A melhor educação me deste

Por me ensinares o que é amar

 

A dor que te vi passar

As vezes que comida não havia

Que algo terias que arranjar

Para calar a minha barriga

 

As explicações que me davas,

Com lágrimas no olhar,

Para as coisas caras

Que não me podias comprar

 

As vezes que passas-te

Comigo no hospital

As horas que teimas-te

A lutar comigo contra o “mal”

 

Hoje sei o que digo

Quando digo que um anjo já vi

Porque eu trago comigo

Que esse anjo o vi em ti

 

A bondade com que me tratas-te

O carinho que me deste

A força com que lutas-te

Nesta vida tão agreste

 

Obrigado senhor

Por me dares uma mãe assim

Pois de tudo em meu redor

Ela é o que mais vale para mim

 

Obrigada querida mãe

Por tudo o que por mim lutas-te

Pois eu sei que no final

No final tu triunfas-te

 

OBRIGADO

publicado por sensei às 13:57

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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

CULPADO

Estou farto

Estou triste

Toda a gente me olha

Com a espada em riste

 

Porque me julgam culpado

Por tudo, mesmo o que não fiz

Eu não passo de um pobre coitado

De um pobre infeliz

 

Todas as culpas sem dono

A mim são atribuídas

Sou um rei Mono

E só queira ser um rei Midas

 

Sou a África em pessoa

Com as costas quentes

Com terra boa

Mas governantes dementes

 

O meu corpo é fértil

Para as culpas que me querem dar

Mas o meu cérebro estéril

Para as refutar

 

Estou cansado de dizer

A toda a gente e mais alguém

Que se vão foder

Que com as culpas eu aguento bem.

publicado por sensei às 16:59

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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008

O meu maior desejo

Gostava de poder desaparecer

Sem fazer sofrer ninguém

Mas ter a oportunidade de os ver

Lá no alto, no além

 

Era a melhor solução

Para muitos dos meus males

Partir sem anunciação

Partir como o rio entre os vales

 

Deixar ficar cá

As pessoas que amo

Para não sofrerem mais

Para não sofrerem mais nenhum dano

 

Gostava de partir

Para o céu ou para o inferno

Sem ninguém a ver-me sumir

Numa manhã fria de Inverno

 

Que ninguém sentisse a minha falta

Que ninguém chorasse por mim

Que ninguém me recordasse

Que ninguém sofresse por mim

 

Eu sei que os levaria

Sempre junto ao coração

E lá do alto os veria

E lhes acenaria com a mão

 

O que faço eu por cá

Perdido neste mundo cão

Rogo a Deus e a Ala

Que me dêem a salvação

 

Gostava de alegrar

O dia dos meus inimigos

Para velos no funeral a falar

A dizerem que éramos amigos

 

Porque só quando se morre

Até o pior vilão

É um anjo que ali dorme

E que merece a salvação

 

Mas eu só queria desaparecer

Sem deixar rastos ou mágoa

Que ninguém me volta-se a ver

Com esta triste dor

 

Quero desaparecer

Deixar quem mais amo

Para não os fazer sofrer

E não lhes causar mais dano

publicado por sensei às 14:44

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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008

O maior presente de aniversário

Ontem foi o meu Natal

Fazia anos que tinha nascido

Mas o dia corria mal

Não era nada do que havia querido

 

A manhã estava tristonha

O meu coração a chorar

A saudade era tamanha

Da família que só sei amar.

 

Fui enganado por todos

Porque diziam não poder vir

E o dia dos meus anos

Estava quase, quase a ruir

 

Custou tanto a passar

O dia do meu Natal

Só o queria ver terminar

Já me estava a sentir mal

 

Mas como é bom ter

Duas famílias para nos ajudar

Porque sem eu saber

As duas famílias acabaram por se juntar

 

Houve alguém que tratou

De chamar quem me faltava

E a sua família ajudou

A preparar-me a cilada

 

O desgosto de não ter

Ao pé de mim, mãe, pai e irmão

Fez que eu demonstrasse ser

Um grande, grande morcão.

 

Apercebi-me da festa

Que era surpresa para mim

Mas fui mais que uma besta

Porque fiquei fora de mim

 

Por não saber que era quem eu queria

Pensei serem só os amigos

E se fossem seria uma alegria

Mas não a maior entre os vivos

 

Por ter sido enganado

Tentei com a borbonhoca falar

Mas eu não era o único stressado

E tudo acabou por desabar

 

Quando entrei na sala

Da casa da minha segunda família

Estavam sentados no sofá

O David, o Jorge, a Carla e a Adília

 

Era quem eu desejava

Ter como companhia

E o raio da cilada

Tinha-me trazido a alegria

 

Foi o melhor presente

Que me podiam dar

Estar com quem mais amo

Nos meus anos ao jantar

 

Trabalharam muito para mim

Para me verem feliz

À muito que não me sentia assim

Um verdadeiro petiz.

 

Obrigado pelo que fizeram

Obrigado pelo que me alegraram

Obrigado pelo presente que me deram

Obrigado porque me mimaram.

 

Como é bom ter

Duas famílias para amar

Eu, feliz, só posso ser

Por ter estas duas famílias de encantar

 

 

Este poema é dedicado à Catarina que tão bem me enganou e que teve a canseira de me aturar e de programar tudo.

È dedicado ao Sr. José Pereira e à dona Carminda, que abdicaram do seu tempo e tiveram o trabalho e a canseira de preparar o jantar e toda a festa.

Aos meus pais, que apesar de estarem “longe”, estão sempre comigo e fizeram quilómetros para festejar o aniversário do filho que mais trabalho e dores de cabeça lhes deu.

Ao meu irmão e á minha cunhada, que depois de um dia extenuante de trabalho se fizeram á estrada para estarem junto de mim e para que os meus pais também pudessem estar.

A todos eles o meu muito obrigado, por me darem o melhor aniversario que podia ter.

Vocês são a maior riqueza que tenho, e com vocês sou o homem mais rico do mundo.

 

OBRIGADO

publicado por sensei às 16:47

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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

Riam para nao vos ver chorar

Chamem os palhaços

Cantores e malabaristas

Recebam-nos com abraços

Chamem também os fadistas

 

Chamem actores e actrizes

Pobres e ricos

Padres e meretrizes

Com olhos redondos ou em bicos

 

Lancem foguetes e tiros para o ar

Bebam champanhe e vinho do Porto

Porque hoje eu vou a enterrar

Porque hoje eu sou um ser morto

 

Não quero lágrimas de ninguém

Nem sequer lamentos

Quero festa e sorrisos

Quero que espantem os tormentos

 

Quero toda a gente a dançar

Quero todos a sorrir

Quero ouvir-vos a cantar

Quando eu estiver a ir

 

Chamem os palhaços para vos animar

Não quero ninguém a chorar

Chamem proxenetas e meretrizes para vos contentar

Se só assim me conseguirem olvidar

 

Mas quero festa, romaria

Baile, alegria

Rizadas e brincadeiras

Em vez das habituais choradeiras

 

Riam porque hoje eu morri

Porque me estão a enterrar

Riam porque até hoje vivi

E riam, para que eu não vos veja a chorar.

publicado por sensei às 17:36

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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

a minha morte

Este fim-de-semana vou morrer

Vou parar de ler

Vou parar de comer

Vou chorar por viver

 

Vou ficar deitado

Sem pensar em me levantar

Vou ser um ser inanimado

Vou ficar a pasmar

 

Vou desligar a televisão

Fechar janelas e reposteiros

Vou ficar na escuridão

Sem sequer luz nos candeeiros

 

Vou comer comida de plástico

Beber sumos e cerveja

Sei que alguns acham isto fantástico

E outros estão com inveja

 

Vou morrer para o mundo

Por breves momentos

Este mundo imundo

Este mundo dos meus tormentos

 

Vou procurar morrer

Na solidão do quarto

E se alguém quiser ver

Não espere grande aparato

 

Prometo não culpar ninguém

Pela morte a que me proponho

Porque a morte que aí vem

É a minha morte de sonho.

publicado por sensei às 15:22

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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

Noite de Neve

Lá fora a neve cai

Gelando tudo o que há

Cá dentro ninguém sai

Estamos prostrados no sofá

 

A lareira está acesa

A televisão num canal qualquer

E em cima da mesa

Estão as chávenas e uma colher

 

Protegidos pelo cobertor

Abraçados e calados

Nada notamos em nosso redor

Estamos tão aconchegados

 

O abraço que te dou

Tem carinho e satisfação

Mas também te dou

Um convite para o colchão

 

As minhas mãos já percorrem

O teu corpo sob o pijama

Os teus fluidos colhem

E convidam-te para a cama

 

Mas a roupa vai saindo

Sem te destapares

O desejo vai subindo

Mesmo antes de me beijares

 

A beleza dos teus beijos

O ardor do teu amor

São os meus mais doces desejos

São o mundo em meu redor

 

As carícias vão sendo trocadas

Os corpos vão-se unindo

Numa dança de aves raras

O clímax vai surgindo…

publicado por sensei às 15:23

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