Terça-feira, 9 de Outubro de 2007

Demência

Hoje vou correr

Saltar e gritar

Hoje não vou crescer

Hoje vou é brincar

 

Quero reviver a criança

Que tenho dentro de mim

Quero ter a esperança

Que ela nunca saiu de mim

 

Temos estado longe

Ela sempre escondida cá dentro

Eu guiado pelo relógio

A batalhar para chegar sempre a tempo

 

Hoje quero atrasar-me

Não ter com o que me preocupar

Quero criar amizades e zangar-me

Quero poder gozar e arrotar

 

Vou ser o miúdo

Que andava de bicicleta

Que dominava o mundo

E que não era careca

 

Vou jogar à bola

No meio da rua

Vou visitar a escola

Vou subir a rua

 

Vou percorrer os caminhos

A correr e a saltar

Caminhos que já não percorro

Porque só penso em trabalhar

 

Vou ligar aos amigos

Do tempo de escola

Convida-los para virem comigo

Convida-los para jogar à bola

 

Vou mergulhar no rio

Saltar da árvore da curva

Deixar de me interessar

Se a água está limpa ou turva

 

Vou beijar alguma miúda

Como se fosse a primeira vez

Mesmo que ela seja graúda

Vou perguntar-lhe se já o fez.

 

Vou dizer que sou amigo

De toda a gente que conheço

Dizer que amigos tenho muitos

Dizer que a todos eu mereço

 

Vou fazer juras de morte

A quem não me escolher em primeiro lugar

Vou ter vergonha da sorte

Vergonha quando uma miúda me olhar

 

Vou fazer juras de amor

Prometer amor eterno

Esquecer tudo em redor

Ser um príncipe efémero

 

Vou voltar a chorar

Vou voltar a sonhar

Não me vou preocupar

Mas vou ter medo e assustar

 

Mas eu quero fazer tudo isto

Para reviver o rapaz

Que movia todo o mundo

Que de tudo era capaz

 

Vou querer ouvir

A minha mãe a chamar

Enquanto me estava a divertir

Porque já era hora de jantar

 

Quero ver a cara de zangada

Que ela punha

Quando eu asneirava

E ele à força a ordem impunha

 

Quero ver o meu pai

Voltar de trabalhar

Sentar-se no sofá

E eu, desafia-lo para brincar

 

Quero estar com o meu irmão

Andar a bulha com ele

Brincar-mos em conjunto

E ganhar a roupa dele

 

Agora já sou grande

Já não sei a que cheira a terra

Conheço os valores das coisas

Mas aprisionada, a criança em mim berra.

 

Vou voltar á infância

À falta de consciência

Reviver e aproveitar

A falta de demência

 

Porque quando crescemos

Tudo se transforma e muda de aparência

Os valores perdemos

E ganhamos a demência

sinto-me: Criança
publicado por sensei às 14:05

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4 comentários:
De fofinhatuga a 9 de Outubro de 2007 às 23:28
É tão bom voltarmos a ser crianças, voltarmos a fazer tudo o que queremos sem regras, sem controlos, sem relógios que despertam pela manha para nos levar a vida cheia de problemas, desapontamentos e até algumas demências...
Não tive irmãos, mas também brinquei e muito com as minhas manas de brincar...foi tão bom.
Tenho saudades
Mas a parte que mais me tocou foi a parte do fazer juras de amor e prometer amor eterno...algo que fazemos somente em crianças e que em adultos já é muito raro.
Como era bom que as juras de amor em criança, a nossa inocencia perdurasse até hoje.
Jinhos fofinho
De sensei a 10 de Outubro de 2007 às 13:29
Quando crescemos, crescemos e estrutura, mas diminuimos em simplicidade. Quando pequenos é tão fácil dizer que amamos, e fazemos as juras de amor. Quando somos "grandes" já nao dizemos que amamos, e as juras de amor sao postas no papel com duas testesmunhas, perante um senhor que diz ser missionario de Deus. Mas depois há outro senhor que nos ajuda a quebrar essas juras, e a rasgar esse papel que assinamos. Em pequenos acreditamos na palavra e nas juras que fazemos e que nos fazem, mas em grandes temos que o escrever e ter até testemunhas. Acho que somos semi perfeitos quando pequenos mas vamos passando de prazo nesse aspecto com o crescimento.

Obrigado pelos teus comentários.

Jinhos fofinha linda
De fofinhatuga a 10 de Outubro de 2007 às 14:13
Quem é o outro senhor que nos ajuda a quebrar as regras?
De sensei a 10 de Outubro de 2007 às 14:17
É o advogado na altura do divorcio. Era obvio. :P

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